quinta-feira, 11 de maio de 2017

LUIS GIFFONI

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     Conheci Luis Giffoni em 1990, apresentado pelo Francisco de Morais Mendes, se não me confunde a memória. Ele já havia lançado livros e vencido prêmios. Àquela época, saiu O ovo de Ádax, que eu profetizei como potencial best-seller. Meus dons, como minha memória, são falhos. Mas foi o romance que selou nossa amizade. De lá pra cá, tive o privilégio de ler quase todos os seus originais, um lucro para mim, que aprendi muito de literatura com isso.
     
     No início deste mês, entre cervejas e conselhos mútuos sobre preservação de saúde (só de amizade são quase trinta anos), por algum motivo que nos escapou, listei seus títulos meus preferidos. Que são:
     
O ovo de Ádax, principalmente por nos mostrar que nunca seremos best-sellers (estamos mais para Peter Sellers, panteras cor-de-rosa num mercado surrealista);
     A árvores dos ossos, pela maestria no domínio da linguagem;
     O pastor das sombras, pela eficaz utilização da pesquisa histórica e pela linguagem criativa;
     Os relatos de viagens. Giffoni é um globe trotter que tem a generosidade de compartilhar suas experiências, sempre adornadas pela ágil mão do ficcionista e calcadas em sua experiência de vida.


     Todos os livros do Giffoni me marcaram de alguma forma: o acidente inicial em Tinta de sangue, um ar de melancolia em Adágio para o silêncio, o atentado em A verdade tem olhos verdes, a experiência psicodélica com as telas de Pollock de Infinito em pó... 


     Este é um romancista strictu sensu, um contador de longas histórias, um criador de personagens e situações como os grandes escritores são. E é o que ele é.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

BAH, DOM, TECA, BIANCA E TIL

BAH, DOM, TECA, BIANCA E TIL


abril de 2016

     Descrição do cenário: a rua Onísio, onde moro. Manhã de domingo. Como em todos os dias, movimento nenhum. Paz de subúrbio. Do outro lado da rua, minha irmã Amélia conversa com sô Sílvio, nosso vizinho. Estacionado em frente à nossa casa, há dias, o caminhão do sô Josias, ex-vizinho.
Ação: coleira do Dom na mão esquerda, uso a outra para abrir o portão. Saímos e enquanto me viro para puxar o portão, Dom vê Amélia. Decide que é uma boa hora para correr e fazer-lhe festa.
     Câmeras subjetivas: como eu ainda estava com o tronco virado para o portão, não havia visto minha irmã e meu vizinho; porque a Onísio tem apenas um quarteirão e é fechada no alto e somos apenas uma dúzia de moradores, o movimento de automóveis é quase nulo; por isso nunca me preocupei em segurar com força a coleira; porque havia o caminhão estacionado, o motorista que entrara por engano na rua e retornava não pôde ver o Dom correndo para a outra calçada; apesar de ser novinho, Dom era um labrador SRD muito forte.

     A gente foi ao Mercado Central orçar uma churrasqueira. Paramos para ver os animais à venda. Uma daschunda chamou minha atenção. O vendedor, espertamente, logo a colocou nos meus braços. Quando pensei que não é correto comprar animais, ela me deu uma lambida no rosto, com gosto. Impossível não levar para casa. A Bah viveu 10 anos comigo.
(O Mercado Central de Belo Horizonte/MG ainda permite a comercialização de animais. É um absurdo que deve ser combatido.)
     Iniciamos o processo de mudança para a Onísio, em fins de 2008. Casa com quintal grande o bastante para que ela pudesse viver melhor. Infelizmente um tumor  não permitiu que ela conhecesse a casa nova. Assim que possível, adotei o Dom numa feirinha, com o apoio da Adriana Torres Ferreira, Mila Rodrigues e Fernanda Spigolon. Amor  à primeira vista, tinha 2 meses e viveu quase 2 anos antes de ser atropelado na porta de casa.

     Passado o luto, eu e Amélia buscamos outra adoção, desta vez na ONG Cãoviver. Foi fácil ver que aquela mocinha triste naquele box protegido da chuva viria morar na Onísio. Era outubro de 2015 e a Teca está sendo uma linda, como os bichos sempre são.

     Outro domingo: voltando do passeio, ouço um choro bem fraco, aqui na frente de casa. Ponho Teca para dentro e vou ver quem me chama. Era a Bianca (ainda sem nome), tão fraca que nem conseguia ficar de pé. Me senti honrado em poder seguir o bom exemplo de tantas pessoas que já resgataram animais em situação de risco. Na segunda-feira a levamos à ONG Bichos Gerais onde foi atendida pela Danielle Castro Ardison. Na sexta, o nosso veterinário Rafael do Nascimento. examinou a Bianca. Naquele dia precisei viajar e deixei-a sob os cuidados do Robson de Melo Pereira. Fui com o pensamento bem gelado: se ela não reagir até minha volta, será sacrificada. No sábado ele me enviou o vídeo dos primeiros passos da bonitinha. Agora ela já está ganhando umas carnes, corre e brinca o tempo todo com a Teca. Como são da mesma idade, acho que terão muito o que fazer nos próximos 15 anos.


     Nasci na rua Álvares de Azevedo, no bairro Colégio Batista. Na nossa casa sempre teve o Til, um SRD vermelho, me informa minha memória. Não lembro de ser especialmente amigo dele. Minha mãe o alimentava com angu (restos de comida misturados com fubá) e eu muitas vezes era quem lhe dava comida. Um dia ele fugiu. Para me reconfortar, me explicaram que os cães gostam tanto de seus donos que quando sentem que vão morrer, eles dão um jeito de fugir. O Til devia ser velho. Eu já não sou tão jovem. Bah, Dom, Teca e Bianca são sempre o Til da minha infância.
Teca e Bianca