segunda-feira, 13 de junho de 2016

O IRRECONHECIDO ANTONIO BARRETO

   


     Antes de conhecer Antonio Barreto pessoalmente, ele já era uma referência literária para mim: amigos citavam seu nome e recitavam seus versos; sua fama de vencedor de prêmios era notícia. Não ficamos amigos de imediato, mas não deve ter demorado muito, pois frequentávamos os mesmos eventos e tínhamos muitos amigos em comum.
     Apesar da intimidade, ele sempre foi também o autor de obras que a gente admira à distância, e fica tentando descobrir "o truque".
     Barreto já publicou de tudo: infantis, infantojuvenis, adultos; poesia, conto, romance, crônica... Em todos os gêneros foi reconhecido através de prêmios, recomendações de instituições, vendas e crítica.
     Com toda essa bagagem (ao lado de seus conterrâneos, foi o editor de Protótipo, talvez a primeira revista marginal do país), se você procurar nas "colunas sociais" da literatura brasileira, não verá seu nome.
     Noite dessas, em uma de nossas reuniões quintaneiras, junto a outros companheiros de copo e lida, perguntei a ele qual a resposta a esse mistério. Tivemos um bom debate, mas não chegamos a lugar nenhum.
     Por mim, tudo bem, tenho cá minha teoria, que vale pra Barreto e outra meia dúzia de excelentes escritores que não flanam pelas festas e salões dos bailes literários nacionais: a postura pessoal não favorece.
        Pode ser timidez, pode ser ética de resistência, pode ser qualquer outro item de nível pessoal. Esses escritores têm qualquer coisa que os impede de estar nas listas, nas colunas, nas caras. Não são melhores que os outros, por isso. São assim. Os outros não são piores por participarem da sistema. 
     O que me chama a atenção é que parece até uma marca, mas talvez não passe de coincidência: alta qualidade literária aliada a certas posturas pessoais mantêm reclusos alguns dos melhores escritores brasileiros. Em alguns casos, como o de Barreto, não perde o público, porque seus livros circulam à farta; perde o sistema por não contar com sua presença mais vezes junto a seu público.

3 comentários:

  1. Grande Barreto. Também acho a poesia dele uma excelência.

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  2. Sou leitor de AB desde que ele arrebatou um prêmio nacional de poesia, em 1977. O Prêmio Remington, se me não engano. Era uma máquina de escrever (a Remington, digo). (a) Luiz Roberto Guedes

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  3. Antônio Barreto: a literatura que sorri.

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